Aves de ArribaçãoEra tempo em que as ágeis andorinhas
Consultam-se na beira dos telhados,
E inquietas conversam, prescrutando
Os pardos horizontes carregados...
Em que as rolas e os verdes periquitos
Do fundo do sertão descem cantando...
Em que a tribo das aves peregrinas
Os
Zingaros do céu formam-se em bando!
Viajar! viajar! A brisa morna
Traz de outro clima os cheiros provocantes.
A primavera desafia as asas,
Voam os passarinhos e os amantes!...
Castro Alves, Espumas Flutuantes (1870)
retirado de: As aves que aqui gorgeiam - pág. 233
a poesia do romantismo ao simbolismo
Curso Breve de Literatura Brasileira 2
Livros Cotovia 2005 Ária (Cantilena)
Tarde, uma nuvem rósea lenta e transparente,
Sobre o espaço sonhadora e bela!
Surge no infinito a lua docemente,
Enfeitando a tarde, qual meiga donzela
Que se apresta e alinda sonhadoramente,
Em anseios d'alma para ficar bela.
Grita ao céo e a terra, toda a Natureza!
Cala a passarada aos seus tristes queixumes,
E reflecte o mar toda a sua riqueza...
Suave a luz da lua desperta agora,
A cruel saudade que ri e chora!
Tarde, uma nuvem rósea lenta e transparente,
Sobre o espaço sonhadora e bela!
Ruth Valadares Corrêa 1938