Poucos escritores conseguem começar assim uma história!...
«Senta-te aqui ao meu lado, amiga, e eu te contarei uma história. Faz tempo que não te conto uma história na bêira deste cais. A noite está cheia de estrêlas, são homens valentes que morreram. Senta-te aqui, dá-me a tua mão, vou te contar a história de um homem valente. Vês aquela estrêla lá longe, mais além do navio fundeado, mais além do forte velho, da sombra das ilhas? Deve ser êle iluminando o céu da Bahia. Não sei se será bem uma história o que te vou contar. Talvez seja uma louvação, talvez seja um ABC. [...]
Êste, cuja história te vou contar, foi amado e amou muitas mulheres. Vieram brancas, judias e mestiças, tímidas e afoitas, para os seus braços e para o seu leito. Para uma, no entanto, guardou êle suas melhores palavras, as mais doces, as mais ternas, as mais belas. Essa noiva tem um nome lindo, negra: liberdade.»