é um tempo fechado
o insurgente rebelde revoltado revoltoso insubmisso insurrecto sublevado amotinado (pouco muito pouco)

e u m t e m p o f e c h a d o [arroba] insurgente[ponto]net
Setembro, 2006


Sábado, 30 Setembro 2006
Sobressaltos (2)
Leio no One Web Show (Expresso) sobre o futuro dos jornais que por sua vez foi ler aqui:

"A procura dos conteúdos será personalizada e interactiva" - (só um àparte: a procura não é sempre personalizada e interactiva? eu pelo menos sempre que procuro algo nos jornais não arranjo 3 amigos para procurar comigo. Não deveria ser "os conteúdos serão personalizados.. " como se pode ler no original: "Core product will be customized, interactive, and on-demand"?)
Sim, já estou a ver os milhares de leitores do Metro e do Destak com versões personalizadas à sua espera na estações de comboio!... já agora o cafézinho também, mas com adoçante s.f.f. - era de facto uma vantagem: assim evitava-se os saltos mortais e os atropelos na procura do exemplar.

"O jornalismo do cidadão será uma fonte de notícias como a Reuters ou a AP" - Atenção estudantes de jornalismo e comunicação social: tirem os phones dos ouvidos e oiçam aquela velha chata ao vosso lado no comboio - ela é que sabe a história toda!

O que tem isto a ver com os sobressaltos? já repararam que nunca tanto se falou de personalização na informação e cada vez mais todos leêm o mesmo jornal, a mesma notícia, ouvem a mesma rádio, a mesma música, a mesma televisão, os mesmos livros... Não digo que antes (antigamente...) não era assim, mas ao menos não havia este paleio todo que nos vira para dentro de nós próprios e nos deixa cada vez mais iguais aos outros, reduzidos ao mesmo nada ou ao mesmo tudo.

#jmmtc# [19:20]  |     -->...
Sobressaltos
Algo que me sobressalta demasiadas vezes é o unanimismo de gostos e comportamentos e de aderência a modas e hábitos que hoje existe na nossa sociedade: basta andar num qualquer comboio ou metro suburbano da região de Lisboa, e ver-se-á muita pouca gente que dispense a leitura dos jornais diários gratuitos - muitos até conseguem no meio de uma corrida para não perderem o próximo metro, pular, e num salto quase mortal e acrobático o suficiente por cima de três ou quatro cabeças, arrancar um exemplar do expositor, como se fosse algo imprescindível. Outra, é estar de auscultadores em tudo o que é sítio a ouvir música; se encontrarem hoje um adolescente (e não só) que não tenha GBytes de mp3 no bolso das calças ou pendurado no pescoço, estará com certeza morto ou acabou de sair de uma ilha deserta...! Francamente quem é que precisa de um leitor de mp3 com 30GBytes com capacidade para até 4000 músicas!? Antes do CD, no tempo do vinil, e mesmo depois antes do imediatismo actual da internet e afins, ouvir música tinha um ritual que se prendia com o tempo que uma música ou um album chegava às nossas mãos; muitas vezes me recordo de adquirir um determinado album e ir para casa simplesmente com um objectivo em mente: ouvir calmamente sem interferências, sem outros ruídos próximos. Mas não é as pessoas ouvirem música de auscultadores em tudo o que é sítio que me incomoda, o que me incomoda, ou melhor, me sobressalta, é cada vez haver mais gente a fazer o mesmo - fecham os ouvidos ao que se passa à sua volta como se os olhos e o nariz bastassem.

Talvez baste, têm todo o direito de o fazerem, a mim não me basta, tenho esse direito de não o fazer. Mas depois não se queixem se não souberem qual o som das nuvens quando chove misturado com matraquear rápido e lento do comboio, e das portas quando abrem, e uns passos de mulher que caminham se sentam ao nosso lado e sabemos que é altura certa para olhar...

Sábado, 23 Setembro 2006
De pequenino se torce o pepino" ou "o meu miúdo não tem tempo para os t.p.c.!"
No jornal "Público" de ontem, um excelente artigo de José Miguel Júdice ex-bastonário da ordem dos advogados, sobre a recente lei que regula o "regime jurídico do associativismo jovem" onde se pode ler: "São associações de estudantes aquelas que representam os estudantes do respectivo estabelecimento de ensino básico, secundário, superior ou profissional" e "Podem ser equiparadas a associações juvenis as entidades sem fins lucrativos de reconhecido mérito e importância social que desenvolvam actividades que se destinem a jovens"; o ex-bastonário insurge-se fundamentalmente contra os excessivos direitos e regalias que são dados ao estatuto de "dirigente associativo jovem", nomeadamente, faltar a aulas, vantagens relativamente a marcação de exames e a entrega de trabalhos escolares, quando tenham de comparecer a actos relacionados com os orgãos que representam ou a actos de "manifesto interesse associativo" [como diz a lei]; (para já não falar nos largos benefícios financeiros e fiscais que são dados a uma qualquer "associação juvenil"); ou seja, a intervenção cívica e voluntária e desinteressada (do ponto de vista pessoal) do dirigente associativo jovem passa a ser amplamente premiada e compensada - pois quando se diz "manifesto interesse associativo" cabe tudo, desde aquela associação realmente empenhada que luta contra a droga na escola até ao outro extremo, uma qualquer associação juvenil de amplo desportivo com reconhecido mérito no alívio do stress juvenil, que com largos associados (e quantos mais, mais possuem o estatuto de "dirigente") promove esse fabuloso desporto que é o paintball!. [continue a ler...]
#jmmtc# [14:46]  |     -->...
Quarta-Feira, 20 Setembro 2006
 
«E se amanhã o medo» te falar mais alto? Que vais tu fazer? Por acaso rirás na sua cara?, que é o mesmo que rir na cara da frente do espelho. Se te falar mais alto na consciência, na tua, da tua ignorância; que vais tu fazer nesse momento? Nesse momento em que principiar a devorar-te os dedos ao contrário até apenas restarem deles as pontas, carcomidas, impossíveis na utilidade de segurarem alguma coisa quanto mais para cerrarem os punhos. Não é isso o medo: dedos sem pontas para findar, ou pontas de nada, o fim de não existirem braços para coisa nenhuma inalcançável?
#jmmtc# [22:40]     -->...