pessoas sentam-se
e angústias fazem andar comboios
não há nada como o frio
nada como uma mulher encostada
a uma terça-feira
para derreter palavras azuis
com argumentos sem fim
pessoas sentam-se e dormem
e fazem andar comboios
com angústias de vidro
nada como o frio a descer de pedras
para os ossos
nada como uma mulher
com os olhos encostados ao silêncio
pessoas sentam-se em comboios
que dormem e fazem andar angústias sem fim
nada como ter os olhos presos
e os pés serem pedras que crescem
e uma mulher encostada a uma terça-feira