é um tempo fechado
o insurgente rebelde revoltado revoltoso insubmisso insurrecto sublevado amotinado (pouco muito pouco)

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Domingo, 8 Outubro 2006
lendo para ouvir
Ao ler um poema de Castro Alves, poeta brasileiro - "Aves de Arribação" - veio-me à memória a música de Heitor Villa-Lobos, música brasileira, música do povo brasileiro. Como se aquele poema me fosse já conhecido pela mão do compositor - dei por mim a achar que este o tinha incluído nas suas Bachianas e que Victoria de Los Angeles tão bem interpretou; seria ela a voz na ária da bachiana n.5 mas..., engano meu, o poema da Cantilena é de Ruth Valadares Corrêa, cantora que fez a estreia da obra em 1939. Engano meu..., mas podia ter sido assim..., sim podia ter sido assim, ou não?
Fica o registo dos poemas, a música de um ali ao lado com a voz de Los Angeles e as palavras de outro..., ouçam, leiam e deixem-se encantar..., apesar de ser outono... mas porque é lua cheia.
Bom Dia!


Aves de Arribação

Era tempo em que as ágeis andorinhas
Consultam-se na beira dos telhados,
E inquietas conversam, prescrutando
Os pardos horizontes carregados...

Em que as rolas e os verdes periquitos
Do fundo do sertão descem cantando...
Em que a tribo das aves peregrinas
Os Zingaros do céu formam-se em bando!

Viajar! viajar! A brisa morna
Traz de outro clima os cheiros provocantes.
A primavera desafia as asas,
Voam os passarinhos e os amantes!...

Castro Alves, Espumas Flutuantes (1870)
retirado de: As aves que aqui gorgeiam - pág. 233
a poesia do romantismo ao simbolismo
Curso Breve de Literatura Brasileira 2
Livros Cotovia 2005


Ária (Cantilena)

Tarde, uma nuvem rósea lenta e transparente,

Sobre o espaço sonhadora e bela!
Surge no infinito a lua docemente,
Enfeitando a tarde, qual meiga donzela
Que se apresta e alinda sonhadoramente,
Em anseios d'alma para ficar bela.
Grita ao céo e a terra, toda a Natureza!

Cala a passarada aos seus tristes queixumes,
E reflecte o mar toda a sua riqueza...
Suave a luz da lua desperta agora,
A cruel saudade que ri e chora!
Tarde, uma nuvem rósea lenta e transparente,

Sobre o espaço sonhadora e bela!

Ruth Valadares Corrêa 1938

(*)Zíngaro: m.q. cigano ('próprio do povo cigano', 'relativo a ou indivíduo')
it. zingaro (1484) 'pertencente a uma população originária da Índia, espalhada pela Europa desde o sXII, caracterizada pelo nomadismo, atividade de lavoura e rica tradição étnica'; f.hist. 1899 zíngaro, 1899 zíngano;
dic.Houaiss da língua portuguesa

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