tu és como a neve só que
mais pura mais efémera,como a chuva
só que mais doce mais frágil tu
com quem certas
flores se parecem apenas no tremor(cobardes
que temem
perder no teu menor gesto a dolorosa
habilidade do que vive)e já que
nada permanece
para além de um breve instante,
junto com a rima e com o riso
Oh minha senhora
(e cada quebradiça maravilhosa coisa que respira)
já que eu e tu estamos a caminho do pó
da tua fragilidade
(mas sobretudo do teu sorriso,
o mais subitamente que é
do amor e da morte um enlace)tu dás-me
coragem
para que contra mim próprio
os pungentes dias choraminguem em vão:
Nem tenho eu medo que
isto;a que chamamos outono,inteligentemente
morra e sobre o amadurecido mundo vagueie com
um contíguo e cauteloso
sorriso na boca(tornando
tudo subitamente velho e com os seus inábeis olhos
force
o sono a entrar e completamente
em todas as coisas belas)
o inverno,a quem a Primavera matará