Acabou o verão, choveu, e a luz faltou. Tenho de despachar o cão. Caga-me a relva toda. Porque será que não aprende a fazer só num sítio!
Como são burros os animais. Hoje de manhã apareceu a coxear de uma pata traseira, não saíu de casa à noite, já lhe fui ver a pata e nada; vou deixar passar o tempo..., pode ser que passe. Ás vezes também me dóiem os ombros e também passa.
Hoje
vou ficar em casa - é como me dizem que faço mesmo quando tento em desespêro usar o termo teletrabalho. Tenho sorte, o carro vai ficar parado, o miúdo já fui deixá-lo à escola, sem trânsito, sem velocidade, sem pensar no tempo perdido, sem as gajas no carro ao lado forçarem o meu pescoço a virar-se, coisa que é
um hábito entre as mulheres e eu.
Um dia ainda hei-de apanhar o
comboio das nove e seis e procurar assim uma mulher de olhos postos fora da janela, sair na estação anterior e andar, andar sempre atrás de uns passos. Serei o ser estranho, que estará a mais. Ainda faço isso. Ainda não é
tarde de mais.