III
Um homem que lia a necrologia no jornal diário ficou assim a saber da morte do seu melhor amigo e uma coisa sem pés nem cabeça aconteceu. Tão sem pés nem cabeça que ninguém sabe realmente explicar a coisa, nem mesmo o homem que lia a necrologia no jornal. Nem mesmo eu sei explicar. A mulher de veludo azul ouviu os seus brincos verdes de esmeralda e levantou-se quando o comboio parou. Saíu sem olhar para trás quando as portas se abriram. A mini-saia da instrutora de natação tem tudo a ver com o seu corte de cabelo. Há coisas que acontecem tão perto umas das outras e que mesmo assim nada têm de comum e por isso não são necessárias muitas explicações.
V
Um homem velho passeia-se pela cidade de automóvel e espanta-se com a rapidez das coisas que encontra. Um homem velho de chapéu na cabeça passeia-se de automóvel pela cidade e pergunta sobre cada edifício e para que serve aquela rua ali. Antes aquela rua ali não existia ali. Um homem demasiado velho usa chapéu quando sai pela cidade e passa por viadutos e túneis. Um homem tem prai noventa e poucos anos quase. Um homem guarda o nosso nome quando se despede de nós e nos aperta a mão. Um homem atravessa o tempo impecavelmente e caminha direito de chapéu na cabeça e pergunta a si mesmo para que serve o que olha.