é um tempo fechado
o insurgente rebelde revoltado revoltoso insubmisso insurrecto sublevado amotinado (pouco muito pouco)

e u m t e m p o f e c h a d o [arroba] insurgente[ponto]net
Julho, 2008


Terça-Feira, 29 Julho 2008
 
O roxo é um colar de oliveiras
e umas pernas que nunca mais acabam
e gosta de chá verde (quero pensar)
que traz guardado num saco
Domingo, 20 Julho 2008
foi voçê que pediu casa nova?
caçadeira
faço-me à estrada
Sobre isto que o Abrupto escreve, a pergunta que se deve fazer: quando é que os autarcas do oeste não exigem a completa renovação/reformulação da linha do oeste (pdf 5.5Mb) para que esta se torne um eixo de transporte urbano e de mercadorias com ligações rápidas a Lisboa, ao norte e até à linha do norte?

Pelo horário acima pode-se ver que alguém que resida em Malveira/Venda do Pinheiro ou Mafra e trabalhe em Lisboa - e pelo trânsito habitual na auto-estrada A8 não são tão poucas pessoas como isso, para chegar a Lisboa a horas de iniciar o trabalho (9h) apenas tem 2 hipótese para chegar ao limite da cidade (sete-rios): ou chega às 7:56 ou à 8:50; mais, na 2ª hipótese o comboio nem sequer pára em Mafra gare (capital de concelho); mais, para quem não conhece diga-se que a estação de Mafra fica fora de Mafra; diga-se ainda que tais horários colidem completamente com os horários sociais e escolares - como é que alguém residindo em Mafra com filhos na escola, mesmo querendo, pode usar esta via para se deslocar para Lisboa se o único comboio diário que existe é às 6:51 da manhã, e mesmo assim é obrigado a mudar de comboio para outra linha; um trajecto que duraria muito menos de 1/2 hora se feito num comboio rápido, moderno e electrificado até ao centro da cidade, dura quase 1 hora, obriga a mudanças de comboio e é impossibilitado por ser irrealista socialmente: a que horas tem de acordar alguém nesta condições? e onde deixa os filhos, se a escola só abre às 9 da manhã - com sorte, às 8 se existir um ATL de suporte.
Para não falar nos horários ao fim do dia onde as condições, restrições e impossibilidades são exactamente as mesmas ou piores!.

Mais uma vez vamos pelo caminho errado, a desbaratar dinheiros públicos, e a tomar as opções incorrectas!
Por isto a única atitude a ter quando vejo e ouço todos esses políticos da treta, comentadores e jornaleiros pseudo-especialistas, capitalistas engravatados muito responsáveis e inovadores, dirigentes de movimentos acreditar-inovar-portugal-ou-sei-lá-que-merda-de-nome-têm, a atirarem para o ar para ver se pega as 65h de trabalho semanais, é rir.

Rio-me, e todos os dias, como milhares de portugueses, pego no meu automóvel e faço-me à estrada.

#jmmtc# [12:14]     -->...
Sábado, 19 Julho 2008
poema da sonata sedução
I

Os sapatos vermelhos que hoje trazes mantêm-me lúcido
como a tua beleza no brilho da manhã.
Há qualquer coisa que fere a consciência
da tua blusa azul turqueza.
Os teus sapatos observam-me,
a tua beleza emociona-me.

Os brincos de sabão não atrapalham em nada
a sombra do teu chapéu,
e o folhado dos teus cabelos respira perfeitamente
sobre a pele branca e a tua blusa cor-de-rosa.

A tua beleza ultrapassa a corrosão do alumínio
do meu cérebro   e corrói o interior da solidão
mais do que o bicho da fruta.

II

O problema da tua blusa preta
é ser demasiado resistente à avaria
do ar condicionado.
O problema da minha lucidez
é não ter o horizonte de 15 km de costa
para sentir a curvatura do meu cérebro.
O problema da tua blusa preta
é que a destreza e o sucesso da tua fuga aos meus olhos
não invalida em nada o seu poder de fogo.

Há qualquer coisa que não bate certo.
O comboio fecha as portas no automático
do teu sorriso.
O suave torpor do teu corpo
como um animal ferido
convalesce na rotina das minhas mãos.
Olho-te o mosto açucarado dos teus olhos,
que não bate certo com a fermentação prolongada dos dias.

O caminho de ferro do teu desejo
descarrila-me os sentidos,
apanho o rápido do meu cérebro
com destino improvável.
chego com 10 minutos de atraso
para te ver chegar.

III

O horizonte é muito longe
para o vermos tão nítido.

Demorei o passar por ti os olhos
sobre o ombro da madeira,
onde o som te repousa os lábios
entreabertos,
e o silêncio te espera.

2004-2008
Quinta-Feira, 17 Julho 2008
 
O vermelho é um vestido preto
e uma mulher de saltos altos cheia de si
aproxima-se
um homem tem os dedos presos no asfalto
dá a volta à cabeça e tem lírios brancos
suspensos nos olhos
uma mulher retira-se como nunca a chuva veio tarde
há o fim da tarde
e o sol não tarda aí para morrer
Domingo, 13 Julho 2008
 
Um homem conta os dias até vir a chuva
um homem conta km e o lugar não chega
e um sorriso o espera

(A cameleira deu flor este inverno em teu redor)

Um homem tem os dias contados

(A cameleira esperou por ti
e em desespero deu flor
breve deu flor)

Um sorriso espera num homem km de inverno e chuva
Um lugar deu flor num homem  que espera  (uma camélia
em teu redor)

Repito um homem tem os dias contados
e é como chuva que reparte o tempo  molha aqui
molha ali  uma mulher
atravessa uma noite e vê-se o brilho o tempo
à sua espera

Uma mulher tem sombras nos olhos
e estrelas nas unhas dos pés e corações
no pescoço
e um corpo dourado
e um perfume faz um zumbido nos seus olhos

E você, já encontrou a sua mulher interior?

Catalina Sandino Moreno

devia haver assim joelhos pensativos para sempre
imagem obtida em edeuscriouamulher.blogs.sapo.pt
#jmmtc# [18:45]     -->...
poeira que resta


Nelly Furtado - All good things